quarta-feira, 3 de março de 2010

o menino sulfuroso

  • Conheçam o menino sulfuroso
  • que vem abrindo vales com os pés inquietos
  • que refazem cem vezes o mesmo caminho
  • para lugares diversos
  • Seu espírito a se derramar
  • corrosivo sobre as criaturas
  • que insistem em existir
  • decompondo-as em mínimas partes
  • destituindo-as de importância
  • salgando-lhes as chagas
  • reduzindo-as a arestas
  • intoxicando-lhes a razão
  • derretendo-lhes o verniz da aparência
  • O menino sulfuroso, quando destrói, se ilumina
  • de desespero
  • e de gozo
  • Escoa a dor que lhe consome quieta
  • e divide com o mundo a fúria que lhe arde
  • o deslocado coração maior que o peito
  • Anda com pressa de não não chegar ao fim
  • com passos largos de desdém pela estrada
  • com dentes de arrancar raízes e uma âncora na cabeça
  • O menino sulfuroso anda só
  • com saudade de si mesmo
  • com os olhos salinos e os punhos cerrados
  • retesando os músculos que lhe sustentam os sonhos
  • escondendo estes da lava que lhe inflama a alma
  • E silenciosamente, no fundo dos seus olhos escuros
  • cria céus de aurora e violetas
  • monta notas musicais
  • e ainda cavalga esperanças de aço.

1 comentários:

miss_lioncourt disse...

o menino sulfuroso tem olhos da cor de gabriela...